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Educação

Luiza conclui o ensino médio no presídio e aposta em um novo recomeço.

Na prisão, Luiza encontrou oportunidade de recomeço e se tornou a primeira entre os irmãos a concluir o ensino médio

11:30 - 05 set 2023 | Por Assessoria

Caminho para um universo de possibilidades e ferramenta eficiente de ressocialização, a educação é uma das prioridades da Agepen/MS (Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário de Mato Grosso do Sul). Dentro das unidades prisionais, internos têm a oportunidade de transformar suas histórias de vida nos bancos escolares, promovendo cidadania e realizando sonhos.

É o caso da reeducanda Luiza da Silva, 25 anos, que viu se tornar realidade o desejo de concluir o ensino médio, isso durante o cumprimento de pena no Estabelecimento Penal Feminino “Luiz Pereira da Silva”, em Jateí.

Apesar de jovem, a interna revela uma vida marcada pelas consequências de quem escolheu a criminalidade. “Aos 13 anos parei de estudar e me envolvi no mundo do crime, aos 15 me aprofundei mais, aos 17, quando pensava em voltar para escola, aconteceram várias coisas, meu pai adoeceu e ficou em uma cadeira de rodas e logo depois eu engravidei”, relata.

Ao ser presa por tráfico de entorpecentes e outros crimes, não demoroupara a ser presa, o que poderia representar o fim da esperança, serviu de impulso para oportunidades que só a educação é capaz de possibilitar.

Caçula, ela conta que é a primeira entre os seus sete irmãos a conseguir esse feito. É uma vitória, uma benção, e meu plano para o futuro agora é continuar estudando, fazer uma faculdade de Direito e ser exemplo para os meus filhos para seguir o caminho certo”, afirma. “Estudar abre portas da mente que jamais serão fechadas. Posso dizer que a educação me libertou”.

O ensino regular é oferecido em ação conjunta entre a Agepen e a SED (Secretaria de Estado de Educação). Ao todo, são 30 unidades prisionais com extensões escolares da rede estadual de ensino, com a oferta de fundamental e médio pelo sistema EJA (Educação de Jovens e Adultos).

Na unidade prisional de Jateí, é ofertado por meio de extensão escolar da Escola Estadual Professora Bernadete Santos Leite, cujo trabalho dos professores e equipe técnica – somados ao empenho dos policiais penais em possibilitar que as ações de ensino aconteçam no local – foi fundamental para estimular em Luiza a vontade de vencer as barreiras das dificuldades com cada conteúdo apresentado.

A custodiada retomou os estudos dentro do sistema prisional, em 2020, quando ingressou no módulo intermediário do EJA (Educação de Jovens e Adultos), que representa a segunda etapa do ensino fundamental, avançando, posteriormente, para o ensino médio, que foi concluído no último semestre.

Para a diretora do presídio de Jateí, Solange Pereira da Silva, vencer as barreiras do aprendizado escolar e conquistar um certificado de conclusão de ensino é um importante avanço para qualquer pessoa, mas pode ter um significado ainda maior para quem está em situação de prisão.

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