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Política

AGEMS reúne setores regulados para avaliar impactos e fortalecer prevenção a eventos climáticos extremos

Reunião avaliou resposta ao temporal que atingiu Campo Grande, alinhou protocolos e definiu articulação conjunta para enfrentamento de novas catástrofes

Douglas Duarte

A Agência Estadual de Regulação de Serviços Públicos de Mato Grosso do Sul (AGEMS) reuniu, na segunda-feira (14), representantes de empresas reguladas dos setores de energia elétrica, saneamento, gás canalizado, rodovias e transporte intermunicipal para avaliar os impactos do forte temporal que atingiu Campo Grande na última quinta-feira (10), alinhar protocolos de atuação e fortalecer os planos de contingenciamento para situações de emergência nos serviços regulados.

A AGEMS havia antecipado essa discussão e iniciou uma articulação preventiva com diferentes instituições do Estado com a Sala de Guerra. A partir de reuniões e diálogos com os setores envolvidos, a Agência identificou a necessidade de preparar respostas antes que os impactos chegassem, fortalecendo a troca de informações, o planejamento e os protocolos de contingência.

O diretor-presidente da AGEMS, Carlos Alberto de Assis, destacou a intensidade do último evento climático, que provocou impactos significativos na infraestrutura da Capital. Segundo ele, a prioridade foi garantir a continuidade dos serviços essenciais e reconhecer o trabalho das equipes mobilizadas durante a emergência.

“Foi um evento que surpreendeu e que ficará marcado como um dos mais severos que já presenciamos em Campo Grande. Felizmente, não tivemos vidas perdidas. É importante reconhecer o empenho de todos os profissionais que trabalharam sob chuva intensa para restabelecer os serviços e atender a população”, destaca.

O diretor de Energia da Agência Reguladora, Matias Gonsales, defendeu uma atuação cada vez mais integrada entre os setores regulados, com compartilhamento de informações e comunicação coordenada diante de eventos climáticos extremos. A proposta é criar um grupo interinstitucional de crise, reunindo representantes das empresas e da Agência para antecipar cenários e organizar respostas conjuntas.

“Precisamos transformar essa experiência em planejamento para estarmos preparados. A integração entre os setores, a troca de informações e uma comunicação conjunta podem fazer a diferença quando novos eventos climáticos acontecerem”, afirma.

Força-tarefa: energia elétrica
Durante a reunião, a Energisa apresentou o balanço da operação de restabelecimento do fornecimento de energia em Campo Grande. O evento mobilizou cerca de 800 profissionais, com equipes de seis estados atuando em regime de escala durante aproximadamente 60 horas. Ao todo, mais de 300 mil pontos foram impactados.

O temporal provocou danos expressivos à rede elétrica, principalmente em razão da queda de árvores de grande porte. Foram retiradas 257 árvores que interferiam na rede e substituídas 196 estruturas danificadas.

O representante da Energisa, Arthur Gandra, explicou que a dimensão do evento ultrapassou os parâmetros utilizados nos modelos de previsão e exigiu a ativação dos planos de contingência da empresa.

“O evento superou as previsões metodológicas e foi um dos mais severos já registrados na Capital. A ativação do plano de contingência permitiu mobilizar equipes, utilizar geradores em pontos críticos e trazer eletricistas de outros estados para reforçar o atendimento”, explica.

Representando a Neoenergia, Fabio Costa informou que a região de Três Lagoas registrou impactos menores neste episódio, mas ressaltou a importância da preparação para os próximos meses, diante da previsão de condições associadas ao fenômeno El Niño.

Integração entre os serviços essenciais
Pela Sanesul, Rodrigo Santos destacou o trabalho de monitoramento realizado durante o evento e a integração entre as equipes de saneamento e energia para solucionar ocorrências no interior do Estado.

“O monitoramento permanente e a parceria entre os setores foram fundamentais em situações como essa. A comunicação preventiva também ajudou a população a compreender o cenário e a se preparar para eventuais impactos no abastecimento”, conta.

No setor de gás canalizado, foram discutidos cuidados relacionados à instalação de postes e outras estruturas próximas às redes, além dos riscos provocados por árvores junto a estações. Também foi apresentada a possibilidade de utilização de geradores a gás em estações elevatórias como alternativa para situações de interrupção de energia, pelos representantes André Luís e Regiane Schio.

No segmento de rodovias, Eduardo Andrighetti, da empresa Caminhos da Celulose, informou que os trechos sob responsabilidade da concessionária não registraram ocorrências de grande proporção durante o temporal e apoiou a criação do grupo integrado. O mesmo cenário ocorreu na região de concessão da Way Brasil.

Arborização e prevenção
Outro ponto discutido foi a necessidade de ampliar o diálogo com a Prefeitura de Campo Grande sobre o manejo da arborização urbana e a revisão do Plano Municipal de Arborização Urbana. Para a AGEMS e os representantes do setor elétrico, ações preventivas podem reduzir os impactos sobre a infraestrutura e evitar situações de maior risco em eventos climáticos severos.

A reunião também tratou dos canais de comunicação com a população. Os participantes reconheceram a importância da divulgação de boletins e informações durante a crise e apontaram a necessidade de aperfeiçoar os canais de atendimento, especialmente para garantir respostas mais diretas às pessoas afetadas.

Planejamento para novos eventos extremos
A mobilização ocorre em um cenário de atenção para os próximos meses, diante da previsão de um El Niño mais intenso em Mato Grosso do Sul em novembro e dezembro. Nesse contexto, a AGEMS vem coordenando a articulação entre os setores regulados para antecipar cenários, compartilhar informações e fortalecer os mecanismos de resposta.

Entre os encaminhamentos definidos estão a criação do grupo interinstitucional de crise, a realização de uma reunião com a Prefeitura de Campo Grande para discutir o manejo da arborização urbana, a demonstração dos planos de contingência e das operações de crise, a melhoria do aplicativo de registro de interrupções de energia e o envio de dados consolidados sobre os impactos provocados pelo temporal.

A proposta reforça o papel da regulação como instrumento de articulação e prevenção, aproximando os diferentes setores responsáveis por serviços essenciais e ampliando a capacidade de resposta diante de eventos climáticos extremos.

“A regulação precisa estar preparada não apenas para fiscalizar, mas também para articular, antecipar problemas e contribuir para que os serviços essenciais continuem chegando à população, especialmente nos momentos mais difíceis”, destacou Carlos Alberto de Assis.

Participaram da reunião: representantes da Energisa, Neoenergia, Sanesul, MS Gás, Way Brasil, Caminhos da Celulose e Rodosul, além do diretor-presidente Carlos Alberto de Assis, diretores e coordenadores das Câmaras Técnicas da AGEMS.

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