Endividamento das famílias chegou a 50,1% em agosto, segundo Banco Central
Dados sobre endividamento das famílias foram divulgados nesta quinta-feira (29/10) pelo Banco Central
O endividamento das famílias brasileiras alcançou 50,1% em agosto, conforme o relatório Estatísticas Monetárias e de Crédito, do Banco Central (BC), divulgado nesta quinta-feira (29/10).
O documento aponta que, naquele mês, o índice aumentou 0,2 ponto percentual no mês e 1,2 ponto percentual em 12 meses. Já o comprometimento de renda aumentou 0,2 ponto percentual no mês e 1,4 ponto percentual em 12 meses, situando-se em 29%.
O crescimento do endividamento ocorre mesmo após o lançamento do programa Desenrola Brasil, anunciado no início de maio. A iniciativa tem o objetivo de facilitar a renegociação de dívidas e reduzir o volume de contas a pagar da população.
Os dados do relatório do BC revelam ainda que a inadimplência referente à carteira de crédito total do Sistema Financeiro Nacional (SFN) ficou em 5% no mês de setembro. O resultado representa estabilidade no mês e elevação de 0,9 p.p. em 12 meses.
A estabilidade na inadimplência no índice geral no mês foi resultado do recuo de 0,1 p.p. na inadimplência de pessoas jurídicas e de estabilidade nas pessoas físicas. Os respectivos índices foram de:
- Pessoas jurídicas: 3,3%;
- Pessoas físicas: 6%.
Em relação ao crédito com recursos livres, que são negociações de empréstimos e financiamentos cujas taxas são tratadas diretamente entre bancos e clientes, a taxa de inadimplência se manteve em 6,6%.
Desenrola ainda não teve efeito
Lançado em maio, o programa de renegociação de dívidas do governo ainda não teve efeitos reais na inadimplência da população. De acordo com o BC, o nível de endividamento da população não para de crescer, mesmo com o programa vigente.
Em setembro, o governo anunciou uma nova modalidade da medida, com a aquisição de pequenas dívidas com atraso entre 2 a 4,5 anos de até R$ 10 mil. A estimativa da nova medida é de R$ 15 bilhões.
De acordo com o BC, o número de pessoas endividadas com risco significativo de não honrar os pagamentos, classificadas como endividadas de “risco”, chegou a 20,3 milhões. Os dados são do Relatório de Estabilidade Financeira, divulgado na terça-feira (27/10).
Medidas de combate ao endividamento
Na última sexta-feira (23/10), o BC aprovou três novas resoluções que estabelecem regras para a oferta e a contratação de crédito no Brasil.
As medidas incluem restrições à publicidade de empréstimos, maior transparência sobre as dívidas dos consumidores e novas exigências para a concessão de crédito durante transações realizadas pelo Pix. Segundo a autoridade monetária, o objetivo é ampliar a proteção dos consumidores e reduzir os riscos de endividamento excessivo, especialmente entre pessoas em situação de maior vulnerabilidade financeira.
O presidente do BC, Gabriel Galípolo, já havia antecipado que o órgão estudava medidas para combater a oferta de crédito abusiva. O alerta de preocupação foi formalizado na ata do Comitê de Estabilidade Financeira (Comef).
“Considerando a participação de modalidades de crédito mais onerosas na composição da dívida das famílias, já destacada como ponto de atenção nas últimas atas do Comef, o Banco Central prepara medidas voltadas à mitigação dos riscos decorrentes dessa dinâmica, de forma a fortalecer a sustentabilidade do crédito e a resiliência do sistema financeiro”, afirmou.
As mudanças serão implementadas ao longo de 2027 e deverão ser cumpridas pelas instituições financeiras. Entre as principais alterações está a obrigação de disponibilizar ferramentas que permitam aos clientes bloquear ofertas de crédito e consultar informações sobre suas dívidas antes de contratar novos empréstimos.
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