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Governo federal avalia bloquear crédito para companhias que praticarem assédio eleitoral

Ministério Público registrou mais de mil denúncias em apenas três dias após o pleito, gerando alerta nas autoridades trabalhistas.

O governo federal, em conjunto com órgãos de fiscalização trabalhista, anunciou nesta quarta-feira (28) que companhias envolvidas em episódios de assédio político, coerção ou demissões motivadas por escolhas ideológicas enfrentarão punições severas previstas na legislação brasileira.

Criação de cadastro restritivo e corte de financiamento

Durante entrevista coletiva, o ministro do Trabalho, Luiz Marinho, revelou que a administração federal analisa a implementação de uma “lista suja” nacional para expor corporações flagradas coagindo funcionários. A penalização principal envolverá o bloqueio de empréstimos em bancos públicos.

O titular da pasta explicou que a articulação com o Banco Central servirá para alertar todo o sistema financeiro sobre organizações que desrespeitarem a liberdade de voto garantida constitucionalmente.

“[O objetivo é] poder, além das providências, ter uma lista que a gente possa mostrar para a sociedade que tem empresas cometendo ilegalidades de eventual crime contra o trabalhador”, afirmou.

O ministro também enfatizou que o pleito recente acumulou índices inéditos desse tipo de violência nas relações de trabalho.

“Se tiver mau empresário, terá a mão pesada do Estado. É isso que nós estamos anunciando aqui”, declarou Marinho, lembrando que existem canais específicos nos ministérios para receber queixas.

Explosão de queixas nos órgãos fiscalizadores

Dados apresentados pelo procurador regional do trabalho Maurício Coentro Pais de Mello revelam que a gravidade da situação exigiu a formação de uma força-tarefa multidisciplinar.

O procurador apontou que o MPT recebeu 1.140 novas queixas de coerção política em um intervalo de apenas 72 horas, somando-se às 3.080 ocorrências registradas desde o início da disputa eleitoral.

“Isso mostra exatamente que quase 30% das denúncias ocorreram pós-processo eleitoral. Isso é uma preocupação muito grande”.

Reforçando a gravidade do cenário, Luiz Marinho pontuou que o direito à livre expressão política é inviolável.

“Nós não estamos falando de coloração A ou B. O trabalhador tem o direito democrático garantido na nossa Constituição de ter o direito à sua opção política”.

Alerta máximo do Tribunal Superior do Trabalho

O presidente do TST, Luiz Philippe Vieira de Mello Filho, alertou que as pressões atingem desde empregados contratados pelo regime CLT até prestadores autônomos, pequenos comércios e produtores rurais.

“É preciso que o recado seja dado com muita clareza. A resposta para aqueles que praticaram a ilegalidade será dura e rápida, será ágil. E mais: esses empregadores que, infelizmente, tiveram essa conduta, se preocupem. Porque o risco econômico que estão assumindo é muito grande”, ponderou o magistrado.

Papel das redes sociais e combate a abusos

O secretário executivo do Ministério da Justiça, Adhemar Borges, participou do encontro com a imprensa para pontuar a responsabilidade das redes sociais na moderação de conteúdos ilícitos, discursos de ódio e tentativas de controle sobre a vontade popular.

“Em relação a esses crimes mais graves, as plataformas têm o dever de retirada do conteúdo ilícito de maneira proativa, independente de notificação das vítimas e dos usuários”, afirmou o representante da pasta.

O secretário reforçou que postagens atentatórias à liberdade de escolha nas urnas, associadas a campanhas de boicote e desligamentos forçados, continuam sob monitoramento rigoroso dos órgãos competentes do Estado.

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