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Policial

Três brasileiros são detidos em operação sobre sequestro e execução na fronteira

Polícia Nacional do Paraguai apreendeu drones, celulares destruídos e cadernos do crime em Pedro Juan Caballero; vítima executada era investigada…

Douglas Duarte

A Polícia Nacional do Paraguai prendeu dois adultos e apreendeu um adolescente de 17 anos, todos de nacionalidade brasileira, durante uma operação desencadeada na tarde desta terça-feira (20), no Bairro Fração Ciudad Nueva, em Pedro Juan Caballero. O trio é investigado por envolvimento no sequestro e na execução de Marcelo Ruan Lázaro Ortiz (conhecido no Paraguai como Marcelo Juan Ortiz Moura), de 26 anos, e no assassinato de sua companheira, a brasileira Carolina Benites Arce, de 27 anos.

A ação foi coordenada por agentes do Departamento de Investigações após o monitoramento de um imóvel por drone. Os presos foram identificados como Diogo Silva Alexandre, de 20 anos — que possui mandado de prisão em aberto no Brasil por tráfico de drogas —, e Pedro Paulo Leite de Jesus, de 25 anos, com antecedentes por furto e lesão corporal. Segundo as forças de segurança, os suspeitos atuam como integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC).

Ao notarem a presença da aeronave não tripulada, dois dos suspeitos tentaram fugir pulando muros e terrenos baldios vizinhos, contudo foram alcançados a cerca de 100 metros. No interior do imóvel alugado pelo grupo, a polícia recolheu o adolescente de 17 anos, além de seis celulares (a maioria destruída), cartões de crédito, chips telefônicos, computadores,cadernos com anotações de contabilidade criminosa e acessórios para armas de longo alcance.

Execução, Tortura e Histórico de Violência na Fronteira

Conforme o comissário César Diarte, os detidos teriam se reunido com a vítima dias antes da invasão à residência do casal, registrada na madrugada de segunda-feira (19). Durante o ataque no Bairro Obrero, Carolina foi morta a tiros após reagir ao ver o rosto de um dos invasores que havia retirado a máscara.

Marcelo foi levado à força e mantido em cativeiro por cerca de 24 horas. Seu corpo foi localizado na manhã de terça-feira nas proximidades da linha internacional que divide Pedro Juan Caballero e Ponta Porã. De acordo com o laudo do médico legista Lucas Riveros, a vítima sofreu severa tortura, apresentando múltiplos traumatismos na face e no crânio, além de ter tido um dos olhos selado com cola industrial.

A principal linha de investigação aponta para um acerto de contas ou disputa pelo controle do crime organizado transfronteiriço. Relatórios da Polícia Civil de Mato Grosso do Sul apontam que Marcelo era foragido da 2ª Vara de Execução Penal de Campo Grande e exercia liderança sobre um grupo de pistoleiros atuante na faixa de fronteira. Ele é investigado como mandante de ao menos dez homicídios cometidos entre 2025 e 2026 nos municípios de Ponta Porã e Pedro Juan Caballero.

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