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Policial

Gaeco detalha movimentações milionárias e bens de luxo em denúncia da Operação Infiltrados

MPMS aponta que Mustang de R$ 370 mil, mansão de R$ 4 milhões e repasses de mais de R$ 1,6…

Douglas Duarte

A denúncia apresentada pelo Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS), no âmbito da Operação Infiltrados, detalhou a evolução patrimonial e movimentações financeiras consideradas incompatíveis com os rendimentos de policiais civis e delegados investigados. Segundo o Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), recursos provenientes do tráfico de drogas eram pulverizados em contas de terceiros para o pagamento de propina e aquisição de bens de alto padrão.

Entre os alvos destacados na peça acusatória está o policial civil Douglas Tobias. A denúncia aponta que o patrimônio atribuído ao servidor e sua esposa inclui uma residência de alto padrão avaliada em R$ 4 milhões e veículos importados, como um Ford Mustang Shelby GT500 estimado em R$ 370 mil. Na avaliação do Ministério Público, os rendimentos lícitos do agente e de suas empresas não justificam a aquisição e o custeio dos bens, mesmo diante de financiamentos bancários alegados.

Repasses Milionários e Lavagem de Dinheiro

A acusação também descreve a dinâmica financeira de Lucas da Silva dos Santos, conhecido como “LK”, apontado como operador comercial do grupo. Conforme o levantamento pericial, após a apreensão de 643 quilos de cocaína pela Delegacia Especializada de Repressão ao Narcotráfico (Denar) em maio de 2024, no município de Bela Vista, foram registradas movimentações superiores a R$ 1,6 milhão nas contas de pessoas ligadas a Lucas.

Apenas no período entre maio e outubro de 2024, uma investigada realizou 46 transferências que somaram R$ 314 mil para a esposa de Lucas. O MPMS sustenta que os valores eram posteriormente sacados em espécie para o repasse direto a policiais civis. Em outro episódio citado, o policial civil Nelson Ricardo Barros de Oliveira efetuou uma transferência de R$ 130 mil para uma empresa de móveis vinculada a Douglas Tobias, em movimentação classificada pelo Gaeco como dissimulação de capital ilícito.

Mansão em Condomínio Fechado e Pedidos da Acusação

A denúncia abrange ainda os custos de construção e acabamento da residência do delegado Hoffman D’Ávila Cândido e Sousa, localizada no Condomínio Alphaville, em Campo Grande. Planilhas apreendidas indicaram gastos que superam R$ 1,6 milhão apenas em acabamentos, além de despesas elevadas com automação residencial e mobília de luxo.

Ao requerer o recebimento da denúncia, o MPMS solicitou a perda do cargo público dos agentes envolvidos, a perda dos bens adquiridos ilicitamente — incluindo o imóvel no Alphaville e veículos —, além do pagamento de R$ 10 milhões a título de danos morais coletivos. O processo tramita no Poder Judiciário, onde as alegações da acusação serão submetidas ao contraditório e à ampla defesa dos citados.

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