Retornado ao cargo após prisão por desvio de R$ 15 milhões, prefeito de Terenos é acusado de coagir servidores a votarem em Beto Pereira
Investigado por liderar organização criminosa, Henrique Budke estaria usando o controle da máquina pública para pressionar funcionários efetivos e comissionados
A gestão municipal de Terenos volta a ser centro de graves denúncias que misturam investigações de corrupção e suspeitas de assédio moral e eleitoral. O prefeito Henrique Wancura Budke (PSDB), que reassumiu o comando do Executivo municipal após ter a prisão preventiva revogada pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), está sendo acusado de ameaçar e coagir servidores públicos de carreira e comissionados para garantirem votos ao candidato a deputado federal Beto Pereira.
Relatos apontam que a pressão sobre os funcionários inclui retaliações, ameaças de exoneração de cargos comissionados e perseguição interna contra servidores efetivos que não demonstrarem engajamento ou alinhamento com a candidatura patrocinada pelo prefeito.
Da prisão ao retorno ao cargo
Henrique Budke havia sido preso preventivamente no âmbito de uma megaperoperação de combate à corrupção, acusado de liderar uma organização criminosa que operava no coração da Prefeitura de Terenos. As investigações apuram o desvio estimado em R$ 15 milhões dos cofres públicos municipais, em um esquema focado em fraudes em licitações, corrupção passiva e lavagem de dinheiro.
À época, a operação cumpriu 16 mandados de prisão e 59 mandados de busca e apreensão na região. Contudo, em 3 de outubro de 2025, o relator do habeas corpus no STJ, ministro Ribeiro Dantas, substituiu a prisão preventiva por medidas cautelares, permitindo o retorno de Budke à chefia do Poder Executivo enquanto o processo tramita na Justiça.
Uso da máquina pública e coação eleitoral
O retorno do prefeito ao cargo reabriu espaço para denúncias sobre o uso do aparato administrativo com finalidade eleitoral. O assédio eleitoral — prática proibida por lei e considerada crime — estaria sendo utilizado como ferramenta de controle sobre o funcionalismo local.
A coação a servidores para direcionar votos ou obter engajamento em campanhas políticas configura abuso de poder político e econômico, podendo acarretar sanções na esfera eleitoral, além de novas responsabilizações na esfera criminal e por improbidade administrativa.
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