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Política

Vereador Fabio Rocha faz contratações suspeitas com verba pública

Documentos revelam que o parlamentar contratou empresa que teve familiares presos por tráfico de drogas e agência de publicidade aberta…

Douglas Duarte

Créditos: Divulgação

O uso da verba indenizatória por parlamentares voltou ao centro do debate em Campo Grande após a revelação de uma série de contratações suspeitas realizadas pelo vereador Fábio Rocha (União Brasil). Dados públicos levantados pelo Portal da Transparência da Câmara Municipal mostram que o gabinete do parlamentar destinou quase R$ 12 mil a duas empresas com histórico controverso.

Segundo os registros, em fevereiro de 2025, o vereador contratou a empresa Rogbel Comércio e Serviços (CNPJ 07.005.597/0001-06) para locação de veículos, desembolsando um total de R$ 7.650,00 em dois recibos datados de 28/02/2025. A empresa pertence a Adailton Angerames Sotelo, que ingressou no quadro societário em maio de 2024.

TROCA DE FUNÇÃO – Atividade principal da Rogbel, segundo consta na Receita Federal, é fornecimento de alimentos preparados para empresas.

No entanto, a Rogbel carrega um passado controverso. Reportagem do site Midiamax, publicada em 2015, mostra que três membros da família de Adailton Sotelo foram presos por tráfico de drogas em Campo Grande. Embora o crime tenha ocorrido há quase uma década, o vínculo com a empresa que hoje presta serviço ao poder público levanta sérios questionamentos.

Publicidade com empresa novata

Já em março de 2025, outro contrato chama a atenção. O gabinete de Fábio Rocha repassou R$ 4.500,00 à empresa Mídia Light LTDA (CNPJ 50.450.239/0001-31), com sede na rua Belmiro Barbosa de Almeida, em Campo Grande. O valor foi justificado como sendo para “produção de conteúdos e outros serviços”, segundo nota fiscal registrada em 03/04/2025.

NOVATA NO MERCADO – Empresa que foi fundada em menos de um ano e meio de mercado foi escolhida por parlamentar.

Mídia Light foi fundada em abril de 2023, possui capital social de R$ 50 mil e tem como atividade principal a atuação como agência de publicidade. Apesar disso, o curto tempo de funcionamento, a ausência de histórico consolidado e a simplicidade estrutural da empresa tornam o contrato um ponto sensível diante da responsabilidade do uso de recursos públicos.

Padrão preocupante

A combinação de fatores podem indicar um possível padrão de favorecimento irregular. Especialistas consultados pela reportagem destacam que, apesar de a verba indenizatória ser legal, sua aplicação precisa respeitar princípios de transparência, economicidade e moralidade administrativa.

Outro caso que veio a público pela imprensa local, foi a matéria publicada pelo Campo Grande News, que aponta que o parlamentar destinou R$ 50.000 mil reais para projeto social fundado por ele mesmo. Fábio Rocha (União) direcionou recursos públicos para o Esquadrão da Juventude, entidade atualmente registrada em nome de sua cunhada, mas que segue associada à sua imagem. A destinação levanta questionamentos éticos, especialmente considerando críticas anteriores do vereador à prática de emendas parlamentares, inclusive mencionando possíveis esquemas de “rachadinha”.

TEM MEU ROSTO, MAS NÃO É MEU! – Apesar de afirmar que não faz parte da diretoria, o parlamentar tem sua imagem estampada em destaque na fachada do projeto.

Na época o parlamentar respondeu a reportagem afirmando que “perante a lei, o vereador pode destinar para qualquer instituição. Há dez anos que eu não sou da diretoria, desde 2015, lembrando que o projeto é de 2003, eu tive só nos dois primeiros anos e nunca recebeu nenhuma emenda e está apta mais de dez anos receber recurso, era um compromisso que eu tinha até ser eleito de o projeto poder receber recurso só depois para provar para as pessoas que é possível começar um trabalho sem emendas”, afirmou.

Entretanto, esse estranho padrão, tem chamado a atenção da imprensa por seus envolvimentos familiares. “Quando há repetição de contratos com empresas sem histórico sólido ou com passados polêmicos, é dever do Ministério Público e da sociedade questionar. O recurso é público e deve ser tratado com o máximo de rigor e isenção”, aponta um analista legislativo que preferiu não se identificar.

O espaço segue aberto para questionamentos do Vereador.

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