Tiago Vargas é reintegrado à polícia civil após anulação de demissão
Ex-vereador de Campo Grande volta ao cargo de investigador seis anos após batalha jurídica nos tribunais
O Diário Oficial do Estado publicou o decreto que anula a demissão do ex-vereador Tiago Vargas, garantindo seu retorno formal aos quadros da Polícia Civil de Mato Grosso do Sul após uma disputa judicial que durou seis anos.
Repercussão da volta ao serviço público
Atualmente atuando como reciclador na Capital, o investigador recebeu a notícia durante o expediente e descreveu o momento como a realização de um antigo desejo profissional.
“Foi muito gratificante e eu fiquei muito feliz quando eu descobri que eu tinha retornado à Polícia Civil do Estado de Mato Grosso do Sul. Eu tinha retornado ao meu sonho de criança. Desde criança eu sonhava em ser policial civil e, graças a Deus, consegui através de muito esforço, muitos estudos. Estava trabalhando na reciclagem, como eu vinha trabalhando diariamente, quando me comunicaram que teria saído no Diário Oficial a minha reintegração. Um sentimento misto, de felicidade, de euforia”, relatou o policial.
Batalha jurídica e anulação do PAD
A reversão do desligamento aconteceu após a 1ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça julgar nulo o Processo Administrativo Disciplinar, apontando falhas e falta de imparcialidade no laudo pericial que embasou a punição aplicada em 2020.
“Chorei muito. É um choro guardado há mais de seis anos, lutando por justiça. Mas eu sempre tinha muita fé em Deus, que uma hora a minha vitória estaria chegando. E ela chegou. Agradeço imensamente a Deus. No momento certo Ele age, Ele agiu na minha vida. Eu estou transbordando de alegria”, desabafou.
Trajetória política e impacto da demissão
O afastamento da corporação em 2020 também impactou a carreira política do servidor, que havia sido o vereador mais votado de Campo Grande naquele ano e posteriormente teve a candidatura a deputado estadual barrada pela Lei da Ficha Limpa devido à penalidade administrativa.
Lotacão em Pedro Gomes
Com a decisão favorável, o investigador voltará a atuar na Delegacia de Polícia Civil de Pedro Gomes, município localizado a 310 quilômetros de Campo Grande e que era sua unidade de lotação no momento da demissão.
“Na verdade, Pedro Gomes eu já tenho um grato carinho e imenso respeito pela cidade, porque era a cidade na qual eu já vinha trabalhando. No ano de 2020, quando eu fui demitido da Polícia Civil, eu estava lotado em Pedro Gomes. Sobre a designação, faz parte do processo administrativo, até porque era a cidade na qual eu já desempenhava minhas funções como investigador”, pontuou.
O agente reiterou seu compromisso com a segurança pública da região norte do Estado:
“Então estou retornando agora para Pedro Gomes, quero trabalhar para toda a população, servir e proteger os nossos munícipes, que esse é o verdadeiro papel da Polícia Civil do Estado de Mato Grosso do Sul. Agora é voltar pra minha profissão, ser investigador da Polícia Civil de Mato Grosso do Sul, servir e proteger o nosso povo”.
Pendências judiciais
Para iniciar de fato as atividades operacionais no interior, o servidor ainda precisa obter autorização da 2ª Vara de Execução Penal de Campo Grande, visto que cumpre pena de prisão domiciliária com monitoramento eletrônico decorrente de ação movida pelo ex-governador Reinaldo Azambuja.
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