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O que se sabe e o que falta esclarecer sobre caso de servidor afastado após áudio de ameaça a indígenas depois de reeleição de Lula

Lideranças indígenas denunciam ameaça de envenenamento de água em aldeia de MS Um servidor da Prefeitura de Tacuru (MS) foi…

Lideranças indígenas denunciam ameaça de envenenamento de água em aldeia de MS
Um servidor da Prefeitura de Tacuru (MS) foi afastado do cargo após a divulgação de um áudio com ameaças contra indígenas da etnia Guarani-Kaiowá, na Aldeia Sassoró. O caso revisitou após denúncias de lideranças indígenas e passou a ser investigado pela Polícia Federal (PF). O funcionário também será alvo de um Processo Administrativo Disciplinar (PAD).
‘Tem que matar essas pragas na água’: servidor é afastado após áudio com ameaça a indígenas em MS depois da reeleição de Lula
A gravação começou a circular após o segundo turno das eleições presidenciais de 2026 e cita a possibilidade de colocar substâncias tóxicas na água consumida pelos moradores da aldeia. Até o momento, não há comprovação de que a água tenha sido contaminada.
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Veja o que se sabe e o que ainda falta esclarecer sobre o caso:
Quem é o servidor afastado?
A identidade do servidor não foi divulgada oficialmente. O prefeito de Tacuru, Rogério Torquetti, confirmou que o autor do áudio é um funcionário da prefeitura. Segundo ele, o servidor atua no setor de infraestrutura, dirigindo caminhão-caçamba, e não trabalha na distribuição de água do município.
O que diz o áudio?
Conforme a denúncia apresentada ao Ministério dos Povos Indígenas, mensagens de áudio que circularam em grupos de WhatsApp mencionam envenenar a água consumida pelos moradores da Aldeia Sassoró.
Uma das falas atribuídas ao servidor cita a necessidade de “matar essas pragas na água”, referência aos indígenas da comunidade.
Onde ocorreu o caso?
O episódio envolve a Aldeia Sassoró, localizada em Tacuru, município de cerca de 11 mil habitantes na região sul de Mato Grosso do Sul, na fronteira com o Paraguai.
O servidor foi punido?
Sim. Segundo o prefeito, o servidor foi afastado das funções públicas enquanto o caso é apurado. A prefeitura também informou que abrirá um Processo Administrativo Disciplinar para investigar a conduta do funcionário.
Há risco de contaminação da água?
Até o momento, não. O próprio Ministério dos Povos Indígenas informou que não existe comprovação de que a água da comunidade tenha sido contaminada. Por isso, uma das solicitações encaminhadas à Polícia Federal é justamente verificar se houve alguma ação concreta além das ameaças registradas nos áudios.
Outras ameaças foram feitas?
Sim. Documento do Ministério dos Povos Indígenas encaminhado à Polícia Federal relata que os indígenas sofreram manifestações racistas e discriminatórias atribuídas a pessoas supostamente ligadas à prefeitura do município.
Conforme a denúncia, áudios que teriam circulado em um grupo de WhatsApp mencionam a possibilidade de colocar substâncias tóxicas na água consumida pelos moradores. A autenticidade das gravações, a identidade dos participantes e as circunstâncias da conversa estão sendo apuradas.
A Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB) também informou que acionou órgãos federais após receber denúncias de violência contra indígenas em Mato Grosso do Sul. Segundo a entidade, os relatos incluem casos ocorridos após o segundo turno das eleições presidenciais.
Entre os casos citados pela APIB estão mortes em Naviraí, atropelamentos em Coronel Sapucaia, ameaças de morte e manifestações racistas. A entidade também relatou suspeitas de envenenamento da água em comunidades de Tacuru e Nioaque.
Quem está investigando o caso?
A Polícia Federal foi acionada pelo Ministério dos Povos Indígenas para apurar a denúncia. Entre os objetivos da investigação estão:
Verificar a autenticidade dos áudios;
Identificar todos os envolvidos;
Confirmar a origem das mensagens;
Avaliar se houve prática de crimes;
Analisar medidas de proteção para a comunidade indígena.
O que dizem os indígenas?
O cacique Ivan Montiel, que também é vereador em Tacuru, afirmou que a comunidade não aceitará ameaças ou atos de preconceito. Segundo ele, os indígenas pretendem buscar a responsabilização criminal e cível dos envolvidos.
Montiel também ressaltou que os povos indígenas têm direito de escolher livremente seus candidatos durante as eleições.
O que ainda falta saber?
A investigação ainda precisa esclarecer pontos importantes:
Quem participou da conversa em que os áudios foram gravados;
Se outras pessoas estiveram envolvidas nas ameaças;
Se houve planejamento ou tentativa de executar o suposto envenenamento;
Se os fatos configuram crimes de racismo, discriminação ou ameaça;
Se a comunidade esteve em risco em algum momento;
Quais serão as consequências administrativas e criminais para os envolvidos.
O que acontece agora?
A Polícia Federal vai analisar as denúncias e o conteúdo das gravações. Paralelamente, a Prefeitura de Tacuru deverá conduzir o processo administrativo para apurar a conduta do servidor afastado.
A conclusão das investigações deverá apontar se houve crime e se outras medidas serão tomadas para responsabilizar os envolvidos e garantir a segurança da comunidade indígena.
Casa de Reza na Aldeia Sassoró, em Tacuru (MS).
Reprodução/Edson Lopes
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