Jovem é torturado durante uma hora e meia, forçado a cavar a própria cova e a fazer símbolo de fação criminosa em MS
A vítima foi coagida a cavar a cova onde seria sepultada, num episódio de violência que se prolongou por aproximadamente…
Um jovem de 18 anos foi vítima de uma sessão de tortura, agressões físicas e ameaças de morte na tarde da última quarta-feira (14), no interior de um imóvel em obras localizado num loteamento em Aparecida do Taboado, a cerca de 457 quilómetros de Campo Grande. De acordo com os relatos, a vítima foi coagida a cavar a cova onde seria sepultada, num episódio de violência que se prolongou por aproximadamente 1h30.
Segundo o boletim de ocorrência, o rapaz deslocou-se ao local acompanhado pelo irmão com o objetivo de prestar apoio nos trabalhos de construção civil. Pouco tempo depois, o irmão ausentou-se do imóvel, deixando o jovem na companhia de um familiar e de um pedreiro responsável pelas obras.
A mãe da vítima relatou que o jovem efetuou três viagens a carregar cimento num carrinho de mão, percorrendo distâncias de cerca de 30 metros. Exausto pelas tarefas pesadas, manifestou a intenção de abandonar o local e regressar a casa. Perante a recusa em continuar o trabalho, o familiar iniciou as agressões com murros nas costas e pontapés nas pernas. O rapaz tentou fugir, mas acabou retido. O pedreiro juntou-se ao ataque, desferindo igualmente múltiplos golpes contra a vítima.
Durante o período de agressões, os dois indivíduos, que estariam a ingerir bebidas alcoólicas, intensificaram as ameaças. O pedreiro forçou o jovem a fazer gestos com as mãos que representavam as letras “C” e “V” — alusivas à fação criminosa Comando Vermelho —, registando as imagens com recurso a um telefone celular.
Paralelamente, o familiar obrigou o rapaz a utilizar uma pá para escavar a sua própria sepultura no terreno, avisando-o de que o mataria e ocultaria o cadáver de forma a que nunca fosse localizado. A vítima foi ainda arrastada até à casa de banho, onde sofreu golpes na cabeça desferidos com o cabo de uma vassoura/rodo, resultando em ferimentos com sangramento ativo.
Cerca de duas horas após o início da ocorrência, o irmão da vítima regressou à obra para o ir buscar. Devido à proximidade e à intimidação exercida pelos suspeitos dentro da viatura, o jovem permaneceu em silêncio durante o trajeto. A situação só foi descoberta pela mãe no momento em que o filho retirou a camisa para tomar banho em casa, momento em que esta identificou os múltiplos hematomas e ferimentos espalhados pelo corpo.
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