Força-tarefa resgata 12 trabalhadores em condições análogas à escravidão no Pantanal
Operação do MPT-MS em Aquidauana e Corumbá flagrou idosos sem registro e funcionários dormindo em barracos de lona junto a…
Uma operação de combate ao trabalho escravo, realizada pelo Ministério Público do Trabalho (MPT-MS) entre os dias 2 e 6 de março, resultou no resgate de 12 trabalhadores em áreas rurais de Aquidauana e Corumbá. A ação contou com o apoio estratégico da Polícia Militar e da Polícia Militar Ambiental, revelando cenários de extrema degradação humana em fazendas de pecuária, carvoarias e setores de aplicação de agrotóxicos.
Em Aquidauana, a fiscalização encontrou trabalhadores, incluindo dois idosos, vivendo em “dormitórios” de lona no meio da mata, sem qualquer acesso a sanitários ou água potável. Um dos resgatados relatou ter trabalhado 35 anos sem carteira assinada, recebendo apenas diárias informais. As camas eram improvisadas com tábuas de madeira, instaladas ao lado de depósitos de sal para gado, evidenciando o descaso total com a saúde e a dignidade dos funcionários.
Já em Corumbá, nove trabalhadores contratados em Miranda foram flagrados aplicando agrotóxicos de alto risco sem nenhum equipamento de proteção individual (EPI). O alojamento consistia em barracos com chão de terra, onde os homens dormiam em redes ou diretamente no solo, dividindo o espaço com recipientes de veneno. Uma das vítimas relatou o perigo constante da fauna local, tendo encontrado uma cobra jararaca embaixo de seu lençol durante a noite.
Após os flagrantes, o MPT-MS realizou audiências extrajudiciais com os proprietários das áreas. Em Aquidauana, foi firmado um Termo de Ajuste de Conduta (TAC) que prevê o pagamento de R$ 194 mil em indenizações e a regularização retroativa dos vínculos empregatícios. No caso de Corumbá, o acordo foi ainda mais rigoroso, estabelecendo o pagamento de R$ 1,2 milhão aos nove trabalhadores resgatados, além da obrigação imediata de regularizar o manuseio de substâncias químicas na propriedade.
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