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Câmara Municipal CG

Câmara promove solenidade de reconhecimento histórico e cultural dos povos originários

A Sessão Solene é concedida por meio dos Decretos Legislativos nº 2.612/21 e nº 949/06

Douglas Duarte

Créditos: ASCOM

A Câmara Municipal de Campo Grande promoveu Sessão Solene, nesta quarta-feira (8), para a outorga do Prêmio Domingos Veríssimo Marcos, em comemoração ao Dia dos Povos Originários. A solenidade foi proposta pela vereadora Luiza Ribeiro, presidente da Comissão Permanente das Causas Indígenas. O encontro foi marcado por discursos de resgate histórico e cultural, destacando a luta e a resistência das comunidades.

Em nome dos homenageados, Edileuza Costa André destacou a força da identidade cultural indígena presente na cidade. “Campo Grande é uma terra que carrega, em seu DNA, a força e a história dos povos originários, a força do compromisso e da valorização de cada tradição, de cada língua e de cada território. Abril indígena não é apenas um mês no calendário, mas sim um símbolo de reafirmação da nossa identidade. Ao sermos homenageados, entendemos que a nossa voz carrega a ancestralidade daqueles que vieram antes de nós e representa as futuras gerações. Que possamos agir e seguir juntos em um futuro com mais respeito, igualdade e justiça para todos os povos indígenas”, declarou.

O coordenador do Distrito Sanitário Especial Indígena, Lindomar Ferreira, fez um resgate da história dos povos indígenas no Brasil, destacando a luta e a resistência pela preservação cultural das comunidades. “Estar aqui demonstra a resistência dos povos originários deste país. Em 1500, os povos originários tinham uma população de cerca de 5 milhões de habitantes no Brasil. De 1500 até 1960, com uma política de extermínio por parte do Estado brasileiro, esse número caiu para cerca de 160 mil indígenas, ou seja, uma diminuição gigantesca. Os povos começaram a se organizar por meio de suas organizações sociais e, hoje, temos mais de 1,6 milhão de indígenas no Brasil, pertencentes a mais de 305 povos e com 274 línguas diferentes”, afirmou.

Segundo o presidente do Conselho Municipal dos Direitos e Defesa dos Povos Indígenas, Lisio Lili, é necessária a retomada das raízes ancestrais. “Quando vamos construir a saúde indígena que nossos antepassados pensaram? Olha o desafio que nós temos: fazer uma educação e uma saúde diferenciadas e específicas, de modo que a saúde funcione a partir das aldeias. Campo Grande precisa mudar e está mudando. Ainda veremos oportunidades para os nossos filhos e para os nossos netos”, pontuou.

De acordo com a especialista indigenista da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (FUNAI), Rebeca Albino, a preservação cultural integra o processo de reparação histórica. “Falar dos povos originários é falar de história viva. É reconhecer que, muito antes da formação do Estado brasileiro, já existiam aqui culturas, saberes, línguas e formas de organização que seguem resistindo até hoje. Também é reconhecer que essa trajetória foi, e ainda é marcada por desafios profundos, que exigem de todos nós compromisso contínuo com a garantia de direitos, com o respeito às diversidades e com a promoção da dignidade”, afirmou.

A representante da comunidade Kadiwéu, cacica Vilma, aproveitou o espaço para falar da luta por moradia digna. “Nós ainda não temos moradia digna. Estamos correndo atrás, lutando por isso. Agradeço ao meu povo por estar lutando junto comigo. Agradeço pela homenagem e pela oportunidade”, disse.

Já o presidente do Fórum dos Caciques de Mato Grosso do Sul, Agnaldo Terena, ressaltou a relevância do reconhecimento feito pelo Legislativo aos povos originários. “Eu creio que todos os homenageados têm uma história com o nosso povo. Desde 2006, estamos aqui recebendo essas homenagens. A cacique Enir foi uma das primeiras homenageadas; eu era adolescente e estava aqui aplaudindo. Precisamos parar de discriminar e excluir o outro. Podemos viver juntos, basta acreditarmos”, relatou.

A vereadora Luiza Ribeiro, presidente da Comissão Indígena e proponente da solenidade, trouxe em seu discurso uma reflexão sobre a necessidade urgente de reparação histórica aos povos originários. “Temos o que celebrar, mas não podemos esquecer o essencial, que é essa relação exploratória absurda estabelecida durante a colonização deste país, cujas consequências persistem até hoje e afastam os povos indígenas de direitos básicos. É dia de celebrar, sim, mas celebrar a resistência. Graças à força dos povos, ainda estamos aqui resistindo. A Câmara de Vereadores abraça a causa indígena, respeitando todas as pautas originárias”, afirmou.

A Sessão Solene é concedida por meio dos Decretos Legislativos nº 2.612/21 e nº 949/06, que instituíram o Prêmio Domingos Veríssimo Marcos, destinado a pessoas físicas ou jurídicas que têm como principal atuação a defesa dos povos originários.

Homenageado – Domingos Veríssimo Marcos, que dá nome à homenagem, nasceu na Aldeia Bananal, em Aquidauana, em 4 de agosto de 1926, e faleceu em 26 de agosto de 2005. Era graduado em Filosofia, Letras e Física e dominava os idiomas inglês, francês, alemão, italiano, japonês, português, espanhol, terena, guató e kadiwéu.

Confira a lista de homenageados:
ANA PORTELA – DAMARIS DE MORAES JOSÉ e ANA HELENA MIGUEL GONÇALVES

CARLÃO – REGINALDO COELHO e GEILSON PEREIRA

CLODOILSON PIRES – JOICE CAMILA NEVIA COSTA SOUZA

EPAMINONDAS NETO, PAPY – ARILSON CÂNDIDO, UBIRAJARA MIGUEL e PASTOR AMAURI HORTÊNCIO FARIAS

HERCULANO BORGES – THAIS RODRIGUES DA SILVA

JEAN FERREIRA – NILTON DE OLIVEIRA SANTANA VIEIRA e MAIDA GOMES XAVIER GONÇALVES

JUNIOR CORINGA – CLAUDELI MENDES e GEFERSON VICTOR

LANDMARK – GIDEILDO JORGE FRANÇA DIAS e JOSIVALDO DELFINO

LEINHA – TIAGO FRANCISCO PEREIRA e HELAINE FRANCISCO MENDES

LUIZA RIBEIRO – MARÇAL DE SOUZA (in memoriam), MARIA YSABELLA SOUZA FRANCO, RIBEIRO BARBINO, ANA LUCIA ROSSATE – ANARANDA, ERIK TERENA, AMANDA LIMA DA SILVA, LUIZ KADIWÉU, VILMA KADIWÉU, LAUCIDIO NETO, LINDOMAR TERENA, FRANCISCO KADIWÉU, EDILEUZA COSTA ANDRÉ e CLAUCIR MATCHUA DA SILVA

MARQUINHOS TRAD – JUCIMARA PEREIRA DA SILVA e MAYRA GONZALEZ MOTA

OTÁVIO TRAD – TAYARA RAYANNY DA CRUZ MACIEL e ISRAEL MENDES PEREIRA

PROF. JUARI – LUIZ PAULO FRANCISCO DOS SANTOS e MARIA DE FÁTIMA RODRIGUES

RONILÇO GUERREIRO – LUCIANA DA SILVA LAURINDO e LÚCIA MARTINS COELHO BARBOSA

SILVIO PITU – DAMASIO GREGORIO FILHO e SILVIO HORTENCIO FIALHO

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