Prisão de policial federal com 65 kg de cocaína deu origem à Operação Iscariotes em MS
Esquema liderado por empresário do Camelódromo recrutava agentes de segurança para tráfico e contrabando; grupo movimentou carga milionária de drogas…
Uma investigação da Polícia Federal revelou que a prisão de um de seus próprios agentes em outubro de 2024 foi o fio condutor para desarticular uma organização criminosa liderada pelo empresário Clenio Alisson Tavares. O flagrante ocorreu na Rodovia Washington Luís, em São Paulo, quando o policial federal Miguel Freire e o irmão do empresário, Cleiton Tavares da Silva, foram interceptados transportando 60 tabletes de cocaína (65 quilos), carga avaliada em mais de R$ 1 milhão.
Na ocasião, a dupla utilizava dois veículos, um T-Cross e um HB20 que atuava como “batedor”. Ao ser abordado, o policial federal confessou que aceitou o serviço para quitar dívidas, recebendo R$ 16 mil pelo transporte. A investigação apontou que, dias antes, os envolvidos já haviam realizado o contrabando de celulares para o grupo em Goiânia (GO). Em junho de 2025, os acusados tornaram-se réus, e a Justiça manteve a prisão preventiva dos envolvidos, mesmo sob alegação da defesa de que desconheciam a presença da droga no carregamento “valioso”.
A continuidade das apurações culminou na Operação Iscariotes, deflagrada em 18 de março, que mirou o empresário Clenio, seu filho e diversos agentes da segurança pública que atuavam como motoristas e seguranças do esquema. Segundo a PF, o grupo era especializado na importação fraudulenta de eletrônicos de alto valor e utilizava a estrutura de lojas no Camelódromo de Campo Grande para a distribuição das mercadorias.
Além do policial federal detido anteriormente, a operação prendeu preventivamente:
- Policial Militar da Reserva: Atuava como segurança particular da família do empresário.
- Investigadores da Polícia Civil: Célio Rodrigues Monteiro (conhecido como “Manga Rosa”) e Edivaldo Quevedo da Fonseca.
O investigador Célio Monteiro obteve liberdade provisória após o pagamento de fiança de R$ 16 mil, enquanto os demais alvos principais permanecem detidos. As defesas dos acusados preferiram não comentar os detalhes do processo, alegando que o caso tramita sob sigilo judicial.
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