Justiça marca para maio interrogatório de André Puccinelli e ex-secretária sobre desvios na compra de livros
O processo apura supostos desvios na aquisição de livros didáticos junto à Gráfica Alvorada
O juiz Eduardo Lacerda Trevisan, da 2ª Vara de Direitos Difusos, Coletivos e Individuais Homogêneos, agendou para o dia 4 de maio, às 14h, o interrogatório do ex-governador André Puccinelli (MDB). O processo apura supostos desvios na aquisição de livros didáticos junto à Gráfica Alvorada. Ao todo, o Governo do Estado desembolsou R$ 37,4 milhões na compra dos materiais, sendo que parte do estoque se perdeu sem nunca ter sido utilizada pelas escolas.
Embora o julgamento estivesse previsto para ser encerrado após as oitivas das testemunhas de defesa, os próprios réus solicitaram o direito de serem ouvidos. Além de Puccinelli, o magistrado interrogará a ex-secretária estadual de Educação, Maria Nilene Badeca da Costa, e a ex-superintendente, Cheila Cristina Vendrami, conforme despacho publicado nesta segunda-feira (16) no Diário Oficial.
Histórico e Valores
A denúncia, que inicialmente tramitou na Justiça Federal antes de ser declinada para a esfera estadual em 2021, transformou 14 pessoas em réus. Segundo o Ministério Público, os pagamentos à Gráfica Alvorada escalonaram nos últimos anos da gestão Puccinelli:
- 2012: R$ 6.032.345,90
- 2013: R$ 9.553.520,00
- 2014: R$ 21.419.390,36 (último ano de mandato)
O objetivo da ação é apurar a prática de improbidade administrativa, enriquecimento ilícito e prejuízo ao erário. Entre os investigados figuram o espólio do empresário Mirched Jafar Júnior (falecido durante a pandemia), André Luiz Cance e diversos ex-servidores e representantes da gráfica.
O julgamento, iniciado em 25 de fevereiro deste ano, caminha para a fase final. Após os depoimentos de maio, será aberto prazo para as alegações finais do Ministério Público e da defesa.
Reflexos na Carreira Política
A trajetória de vitórias de André Puccinelli foi drasticamente alterada pela Operação Lama Asfáltica, deflagrada em 2015. Até sua prisão em julho de 2018, o emedebista ostentava um currículo sem derrotas eleitorais, tendo ocupado cargos de deputado estadual, federal, prefeito de Campo Grande e governador por dois mandatos.
Impedido de disputar o Governo em 2018 devido à prisão de cinco meses, Puccinelli retornou às urnas em 2022, quando sofreu sua primeira derrota ao ficar em 3º lugar na disputa pelo Parque dos Poderes. Em 2024, optou por não se candidatar, apoiando o deputado Beto Pereira (PSDB), que também não avançou ao segundo turno na capital.
Para o próximo ciclo eleitoral, o ex-governador já descartou disputas majoritárias (Governo ou Senado), sinalizando que deve buscar uma vaga na Assembleia Legislativa. Puccinelli mantém a linha de defesa de que é inocente e afirma ser alvo de perseguição política.
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