2
Política

Enquanto pregava austeridade e votava contra impostos, Catan bancou jantares de luxo com verba pública

Os documentos apontam despesas frequentes com verba indenizatória que levantam questionamentos sobre moralidade administrativa

Douglas Duarte

Créditos: Ilustração

Notas fiscais custeadas com recursos públicos revelam um padrão de gastos que o deputado estadual João Henrique Catan (PL) teve com alimentação em restaurantes de alto padrão, consumo em horários noturnos avançados, madrugadas e fins de semana, períodos sem relação clara com a atividade parlamentar regular da Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul (ALEMS).

Os documentos apontam despesas frequentes com verba indenizatória que levantam questionamentos sobre moralidade administrativa, razoabilidade e efetivo interesse público no uso do dinheiro público. O comportamento contrasta com o discurso de austeridade defendido pelo parlamentar em plenário e nas redes sociais.

Restaurantes caros e horários atípicos

Entre os estabelecimentos mais recorrentes aparece o Restaurante Madero, conhecido pelos preços elevados. Apenas no mês de novembro no primeiro ano do deputado, foram identificadas diversas despesas classificadas como “alimentação parlamentar”, emitidas em horários noturnos considerados incompatíveis com agendas institucionais:

Madero – 03/11/2019, às 23h11 – R$ 159,00
Madero – 08/11/2019, às 23h44 – R$ 217,40
Madero – 17/11/2019, às 21h22 – R$ 189,00
Madero – 19/11/2019, às 21h00 – R$ 162,00
Madero – 27/11/2019, às 22h10 – R$ 171,00

Além do Madero, outros restaurantes de perfil elevado também aparecem na prestação de contas:

Vermelho Grill – 03/11/2019, às 13h22 – R$ 408,50
Churrascaria Estrela do Sul – 10/11/2019, às 14h12 – R$ 370,00
Kobayashi Sushi House – 20/11/2019, às 23h55 – R$ 307,00
Wetiga – 28/11/2019, às 14h33 – R$ 1.102,50

Também constam gastos em estabelecimentos como churrascaria:

Churrascaria e Lanchonete Auxiliadora – 04/11/2019, às 21h35 – R$ 113,50
Churrascaria e Lanchonete Auxiliadora – 04/11/2019, às 08h21 – R$ 113,30

Todas as notas estão vinculadas ao CPF do parlamentar e classificadas como despesas relacionadas à atividade parlamentar.

Fim de semana em Bonito e despesas sob suspeita

Outro ponto que chama atenção é o gasto no município turístico de Bonito, nos dias 23 e 24 de novembro, um sábado e um domingo. No dia 23/11/2019, consta uma nota fiscal do restaurante Casa Colonial, emitida às 00h31 na Capital, no mesmo dia em que o deputado deu entrada em um hotel na cidade turística de Bonito:

Casa Colonial – 23/11, às 00h31 – R$ 323,00

No dia seguinte, já em 24/11, aparece outra despesa registrada durante a madrugada:

Bematech – 24/11, às 00h35 – R$ 361,97

A sequência de registros levanta dúvidas sobre a efetiva vinculação dessas despesas à atividade parlamentar. Ou o deputado teria se deslocado entre compromissos distintos, ou o uso da verba pública para alimentação ocorreu de forma indiscriminada, inclusive em contexto de lazer e hospedagem.

Discurso em plenário x prática no mandato

À época em que esses gastos foram realizados, João Henrique Catan defendia publicamente pautas de austeridade fiscal na Assembleia Legislativa. No dia 13 de novembro de 2019, por exemplo, o parlamentar se posicionava contra o aumento de impostos e discursava em defesa do regimento interno da Casa.

O contraste chama atenção: enquanto votava contra a elevação da carga tributária sob o argumento de proteger o contribuinte, utilizava recursos oriundos dos impostos para custear refeições em restaurantes de alto padrão, muitas delas em horários noturnos e fora do expediente institucional.

Legalidade não é sinônimo de moralidade

Embora as despesas estejam formalmente registradas na prestação de contas, especialistas em gestão pública ressaltam que a administração pública deve observar não apenas a legalidade, mas também os princípios da moralidade, economicidade e razoabilidade.

O conjunto das informações revelava um padrão de uso da verba de alimentação que se aproxima de hábitos pessoais, pagos com dinheiro público, sem comprovação clara de benefício direto à atividade parlamentar. Em um cenário de restrições orçamentárias e cobrança crescente por austeridade no setor público, gastos desse tipo reforçam o debate sobre os limites éticos da verba indenizatória e a necessidade de fiscalização mais rigorosa.

O espaço está aberto para manifestação do deputado estadual João Henrique Catan (PL).

Siga o Portal de Notícias DDD67 no Instagram e fique por dentro de tudo! Basta acessar Aqui.

Deixe Seu Comentário

Loading

Carregando Comentários...