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Mundo: Israel deporta Greta Thunberg após apreensão de Flotilha com destino a Gaza

Ativista climática deixa o país em meio a controvérsia sobre bloqueio naval e situação humanitária em Gaza; outros ativistas permanecem…

Douglas Duarte

Nesta terça-feira, 10 de junho, o Ministério das Relações Exteriores de Israel confirmou a deportação da ativista Greta Thunberg, um dia após o navio “Madleen”, que integrava a Freedom Flotilla com destino a Gaza, ter sido apreendido por forças israelenses. Greta Thunberg, que normalmente evita viagens aéreas, partiu em um voo para a França e, subsequentemente, para seu país natal, a Suécia, conforme comunicado oficial divulgado na plataforma X, acompanhado de uma imagem da ativista a bordo da aeronave.

Ao desembarcar no Aeroporto Charles de Gaulle, em Paris, Greta Thunberg fez um apelo veemente pela libertação dos demais ativistas detidos na Flotilha. Ela descreveu a experiência da detenção como “bastante caótica e incerta”, mas ressaltou que as condições enfrentadas “não são nada comparado ao que as pessoas estão passando na Palestina e, especialmente, em Gaza neste momento”.

Contexto e Reivindicações dos Ativistas

Greta Thunberg enfatizou que os participantes da missão estavam cientes dos riscos, mas que o objetivo primordial era “chegar a Gaza e poder distribuir a ajuda”. Ela reiterou o compromisso dos ativistas em continuar os esforços para levar assistência humanitária à região. Ao ser questionada sobre a aceitação da deportação, a ativista declarou: “Por que eu iria querer ficar em uma prisão israelense mais do que o necessário?”.

A ativista sueca conclamou seus apoiadores a pressionarem seus respectivos governos para que se mobilizem e “exijam não apenas que a ajuda humanitária seja permitida em Gaza, mas, acima de tudo, o fim da ocupação e o fim da opressão e violência sistêmicas que os palestinos enfrentam diariamente”. Ela ressaltou que o reconhecimento da Palestina é o “mínimo, o mínimo, o mínimo” que os governos podem fazer para auxiliar. Greta Thunberg foi escoltada pela polícia para fora do terminal, sem bagagem, enquanto era aplaudida por alguns apoiadores.

O “Madleen” transportava ajuda humanitária e tinha como objetivo protestar contra o conflito em Gaza, além de alertar para a crise humanitária no território palestino, segundo a Freedom Flotilla Coalition, organizadora da viagem. As forças navais israelenses apreenderam a embarcação sem incidentes na madrugada de segunda-feira, 9 de junho, a aproximadamente 200 quilômetros da costa de Gaza. A coalizão e grupos de direitos humanos consideram a ação israelense uma violação do direito internacional, acusação que Israel rejeita, afirmando que tais navios visam violar seu bloqueio naval legal a Gaza. O barco foi subsequentemente escoltado pela marinha israelense até o porto de Ashdod.

Situação dos Demais Ativistas e Posicionamentos Legais

A Freedom Flotilla Coalition informou que três ativistas, incluindo Greta Thunberg, foram deportados juntamente com um jornalista, incentivados pela coalizão a fazê-lo para que pudessem relatar suas experiências livremente. Outros oito passageiros recusaram a deportação e permaneceram detidos, aguardando julgamento pelas autoridades israelenses.

O grupo Adalah, uma organização de direitos legais em Israel que representa os ativistas, declarou que a detenção é “ilegal, motivada politicamente e uma violação direta do direito internacional”. Eles exigem a libertação incondicional dos passageiros restantes e que seus advogados sejam autorizados a pleitear a conclusão da viagem a Gaza. Sabine Haddad, porta-voz do Ministério do Interior de Israel, esclareceu que os ativistas deportados renunciaram ao direito de comparecer perante um juiz, enquanto aqueles que não o fizeram serão levados a tribunal e detidos por 96 horas antes de uma possível deportação.

Entre os passageiros do “Madleen” estava também Rima Hassan, membro francesa do Parlamento Europeu de ascendência palestina, que já havia sido impedida de entrar em Israel devido à sua oposição às políticas israelenses. O ministro das Relações Exteriores da França, Jean-Noel Barrot, confirmou que um dos ativistas franceses detidos assinou uma ordem de expulsão, enquanto outros cinco se recusaram, e que todos receberam visitas consulares.

Sergio Toribio, um ativista espanhol deportado, criticou as ações de Israel ao chegar a Barcelona, classificando-as como “imperdoáveis, uma violação de nossos direitos” e um “ataque pirata em águas internacionais”.

Bloqueio e Crise Humanitária em Gaza

O grupo de direitos humanos Adalah reafirmou na segunda-feira que Israel “não tinha autoridade legal” para apreender o navio, argumentando que a embarcação estava em águas internacionais e se dirigia às “águas territoriais do Estado da Palestina”. A Anistia Internacional também manifestou que Israel desrespeitou o direito internacional com o ataque naval, exigindo a libertação imediata e incondicional dos ativistas. Israel, por sua vez, sustenta que suas ações estão em conformidade com o direito internacional e classificou a flotilha como uma “manobra publicitária”, um “iate selfie” com uma quantidade “insignificante” de ajuda. O ministro das Relações Exteriores, Gideon Saar, declarou a intenção de entregar a pequena quantidade de ajuda a Gaza.

Desde que o Hamas assumiu o controle em 2007, Israel e o Egito impuseram bloqueios a Gaza em diferentes graus. Israel justifica o bloqueio como uma medida para impedir a importação de armas pelo Hamas, enquanto críticos o consideram uma punição coletiva à população palestina. Durante o conflito de 20 meses em Gaza, Israel restringiu e, por vezes, bloqueou o acesso a ajuda vital, como alimentos, combustível e medicamentos, o que, segundo especialistas, levou a região à fome. Israel alega que o Hamas desvia a ajuda para fins próprios.

O ataque de 7 de outubro, liderado por militantes do Hamas, resultou na morte de cerca de 1.200 pessoas, a maioria civis, e na captura de 251 reféns. Atualmente, o Hamas ainda mantém 55 reféns, sendo que mais da metade, acredita-se, já faleceram. A campanha militar de Israel já ceifou a vida de mais de 54.000 palestinos, conforme o Ministério da Saúde de Gaza, que não diferencia civis de combatentes, mas afirma que a maioria das vítimas são mulheres e crianças. O conflito devastou grandes áreas de Gaza e deslocou aproximadamente 90% da população, tornando-a quase totalmente dependente da assistência internacional.

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