Predador Virtual sem Fronteiras: Mato Grosso do Sul está entre os estados com vítimas de abuso sexual online
Polícia do RS revela esquema cruel de chantagem e exploração sexual infantil, com mais de 160 meninas identificadas em sete…
A Polícia Civil do Rio Grande do Sul desmantelou um chocante esquema de abusos sexuais virtuais liderado por Ramiro Gonzaga Barros, de 36 anos, preso preventivamente desde janeiro em Taquara (RS). A investigação aponta que meninas de Mato Grosso do Sul estão entre as ao menos 163 vítimas identificadas até o momento. Ramiro é acusado de aliciar crianças e adolescentes online, coagindo-as a enviar fotos íntimas para, posteriormente, chantageá-las e obter ainda mais conteúdo.
De acordo com as autoridades, o número de vítimas, com idades entre 8 e 13 anos e espalhadas por sete estados brasileiros – Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Distrito Federal, Acre e Mato Grosso do Sul – pode ser até sete vezes maior, ultrapassando a marca de mil em todo o país.
O delegado Valeriano Garcia Neto, responsável pela complexa investigação, detalhou que os crimes eram praticados quase que exclusivamente no ambiente virtual, configurando o crime de estupro virtual perante a legislação brasileira.
A estratégia de Ramiro envolvia a criação de perfis falsos em redes sociais para se aproximar das jovens vítimas, conforme informações do site local RBS TV. Após estabelecer um laço de confiança, ele solicitava fotos íntimas e, uma vez em posse do material, iniciava a chantagem, ameaçando divulgar as imagens caso não recebesse mais conteúdo.
Rastro de Sofrimento em Sete Estados:
A investigação revelou um padrão de atuação consistente em todos os casos. O suspeito abordava as vítimas sob falsas identidades, frequentemente se passando por outros adolescentes, manipulando-as psicologicamente até que elas enviassem as fotos comprometedoras.
A análise do material apreendido no computador de Ramiro pelo Instituto Geral de Perícias (IGP) foi crucial para o avanço da investigação. Foram encontradas cerca de 750 pastas digitais meticulosamente organizadas com nomes completos, apelidos, partes de nomes e informações de perfis de redes sociais das vítimas, facilitando o cruzamento de dados e a identificação.
O delegado Valeriano ressaltou que a prisão inicial de Ramiro ocorreu após ele ser flagrado com material de pornografia infantil. Desde então, outras três ordens de prisão preventiva foram decretadas contra ele: duas por estupro de vulnerável e uma por produção de pornografia infantil.
“A polícia está empenhada em identificar todas as vítimas e instaurar um inquérito individualizado para cada uma delas, garantindo que o responsável seja devidamente responsabilizado por seus atos”, assegurou o delegado.
A investigação segue em ritmo acelerado, com a colaboração de especialistas em crimes cibernéticos e a coordenação entre as polícias dos diferentes estados envolvidos. O advogado de Ramiro, Rodrigo Batista, informou ao g1 que aguarda o acesso integral aos autos do processo para se pronunciar sobre o caso.
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