Policial militar e advogada são presos pelo Gaeco em nova fase da Operação Courrier em Mato Grosso do Sul
Investigação aponta que cabo da PM vazava dados sigilosos para a esposa repassar ao PCC; prisões ocorrem no âmbito da…
Um policial militar de 36 anos e sua esposa, uma advogada que exerce cargos de liderança institucional na categoria,foram presos preventivamente pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) nesta quinta-feira (29). As prisões ocorreram no âmbito da Operação Consorte, desdobramento da terceira fase da Operação Courrier,que apura a atuação do núcleo “Sintonia dos Gravatas”, braço jurídico da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC).
A captura do militar foi efetuada no Centro de Formação e Aperfeiçoamento de Praças (CFAP), em Campo Grande, com apoio operacional da Corregedoria-Geral da Polícia Militar. Na ocasião, equipes policiais realizaram revistas minuciosas no armário individual do cabo e apreenderam seu telefone celular, um relógio digital e sua arma funcional — uma pistola acompanhada de três carregadores e 50 munições.
O militar recusou-se a informar a localização do colete balístico sob sua guarda, negou-se a assinar os documentos cartorários e não forneceu as senhas de acesso aos eletrônicos apreendidos. Ele foi encaminhado ao Presídio Militar Estadual (PME) e afastado das funções.
Vazamento de Informações Sigilosas e Atuação Jurídica
As investigações do Ministério Público do Estado de Mato Grosso do Sul (MPMS) revelaram que o policial militar utilizava seu acesso a sistemas restritos de ocorrências para consultar dados de faccionados presos em regime fechado entre 2013 e 2018. As informações sigilosas eram repassadas à esposa, que atuava como interlocutora de confiança da organização criminosa, distribuindo os relatórios a outros advogados e lideranças do PCC, além de intermediar recados e recursos financeiros.
A advogada investigada ocupa posições de destaque institucional, exercendo as funções de conselheira do Tribunal de Ética e Disciplina da OAB-MS, vice-presidente da Comissão da Advocacia Criminal e presidente da Abracrim Mulher de Mato Grosso do Sul. As ordens de prisão foram expedidas pela 2ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS).
Posicionamento das Instituições
Em nota oficial, a Polícia Militar de Mato Grosso do Sul (PMMS) informou que o servidor foi prontamente afastado de suas funções operacionais e que instaurou procedimentos administrativos disciplinares para apurar a conduta do cabo,ressaltando que eventuais desvios individuais não refletem os valores da corporação. O militar responde pelos crimes de organização criminosa, corrupção passiva e violação de sigilo funcional.
A Seccional da Ordem dos Advogados do Brasil em Mato Grosso do Sul (OAB-MS) comunicou que a Comissão de Defesa e Assistência das Prerrogativas acompanhou o cumprimento dos mandados em Dourados e que adotará as providências de natureza disciplinar no âmbito da autarquia, assegurando o devido processo legal.
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