Incêndio florestal iniciado no Pantanal de Corumbá avança para a Bolívia e ameaça parque
Chamas cruzaram a fronteira impulsionadas por ventos de 40 km/h e atingiram área protegida na tríplice fronteira; equipes do Ibama…
Um incêndio florestal de grandes proporções iniciado na região de Forte Coimbra, no Pantanal de Corumbá, avançou para o território da Bolívia. O fogo agora ameaça diretamente uma importante área de preservação ambiental situada na tríplice fronteira entre o Brasil, a Bolívia e o Paraguai.
O foco de calor teve início na última quinta-feira (16) e as chamas continuam ativas no país vizinho neste sábado (18). Registros visuais capturados na noite de sexta-feira (17) revelaram uma extensa e contínua linha de fogo cortando o horizonte da região de fronteira.
Até o momento, as autoridades ambientais brasileiras informaram que não restaram focos ativos dentro do território nacional, e ainda não há uma estimativa oficial do total de hectares destruídos. Contudo, devido à intensidade dos ventos locais, existe o risco iminente de o fogo retornar para o lado brasileiro.
De acordo com os dados técnicos do Instituto Homem Pantaneiro (IHP), as chamas começaram originalmente a cerca de seis quilômetros da linha divisória com a Bolívia. O incêndio ganhou força rapidamente devido às rajadas de vento que ultrapassaram a marca dos 40 km/h.
Monitoramentos realizados por imagens de satélite sugerem que o fogo já atingiu o perímetro do Parque Nacional e Área Natural de Manejo Integrado Otuquis. A unidade de conservação ambiental é considerada uma das principais e mais sensíveis reservas do Pantanal boliviano.
Um relatório preliminar emitido pelo Serviço Nacional de Áreas Protegidas da Bolívia confirmou o avanço dos focos de calor na área protegida. Os registros indicam que o fogo se concentra no município de Puerto Suárez, próximo à comunidade conhecida como Triângulo Foianini.
As chamas consomem áreas de pastagens nativas e a vegetação típica do bioma pantaneiro, gerando grave risco para a sobrevivência da fauna silvestre local. Moradores do país vizinho registraram vídeos que mostram densas e extensas colunas de fumaça encobrindo o céu.
O deslocamento das equipes de socorro até o epicentro do incêndio é considerado de difícil acesso geográfico. Agentes guarda-parques e militares da Armada Boliviana realizam o monitoramento da linha de fronteira para evitar o surgimento de novos focos isolados.
Brigadistas do Ibama Prevfogo realizam um sistema de revezamento contínuo para auxiliar no combate direto às chamas no lado boliviano. Especialistas projetam uma melhora nas condições de combate a partir deste domingo, quando está prevista uma redução na velocidade dos ventos.
Outro fator técnico apontado como favorável para as frentes de trabalho é que a vegetação daquela localidade pantaneira ainda conserva níveis elevados de umidade. A condição hídrica atua como uma barreira natural, dificultando uma propagação ainda mais acelerada do incêndio.
Por outro lado, o Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso do Sul (CBMMS) emitiu uma nota alertando que as previsões climáticas imediatas para a região continuam desfavoráveis. A corporação monitora a área caso haja necessidade de nova intervenção em solo sul-mato-grossense.
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