PF deflagra Operação Rota Clandestina contra esquema milionário de contrabando de cigarros
Ação cumpre mandados em Campo Grande e Minas Gerais contra grupo que movimentou R$ 76 milhões; Justiça Federal determinou prisões…
Uma organização criminosa especializada na importação e distribuição ilegal de cigarros produzidos no Paraguai é o alvo principal da Operação Rota Clandestina. A ação foi deflagrada pela Polícia Federal (PF) na manhã desta terça-feira (16), centralizando as atividades no município de Campo Grande.
No total, os policiais federais estão empenhados no cumprimento de 14 mandados de busca e apreensão. Desse montante, 13 ordens judiciais são executadas na capital sul-mato-grossense e uma na cidade de Santa Luzia, em Minas Gerais.
A operação também resultou na prisão preventiva de cinco lideranças do esquema criminoso. Além dos mandados de prisão, as equipes da PF realizam a instalação de tornozeleiras para o cumprimento de cinco medidas de monitoração eletrônica.
Para desarticular a estrutura financeira do grupo, a Justiça Federal determinou o bloqueio imediato de diversas contas bancárias vinculadas aos investigados. A decisão judicial também ordenou o sequestro de bens móveis e imóveis que teriam sido adquiridos com o lucro da atividade ilícita.
A força-tarefa da Operação Rota Clandestina mobiliza uma estrutura robusta de fiscalização. Estão empenhados nos trabalhos 62 policiais federais, 17 policiais rodoviários federais, além de 7 Auditores-Fiscais e 15 Analistas Tributários pertencentes aos quadros da Receita Federal.
Grupo movimentou mais de R$ 76 milhões com depósitos clandestinos
Os trabalhos investigativos tiveram início após o setor de inteligência da Polícia Federal detectar indícios sólidos sobre a atuação da rede de contrabando. No decorrer do inquérito, as autoridades conseguiram interceptar e vincular 12 grandes apreensões que totalizaram mais de mil maços de cigarros.
A análise fiscal revelou que a organização criminosa alcançou uma movimentação financeira superior a R$ 76 milhões. O grupo realizava a compra dos produtos tabagistas diretamente no Paraguai e operava a introdução das mercadorias de forma totalmente clandestina em território nacional.
Após cruzarem a linha de fronteira, os carregamentos eram estocados em depósitos ocultos localizados em bairros de Campo Grande. Na sequência, os cigarros eram distribuídos para outras unidades da federação utilizando caminhões e veículos de passeio adaptados para o transporte de carga.
A PF identificou transportadoras formais que possuíam vínculos diretos com o bando, além da emissão de notas e documentações fiscais fraudulentas. O uso de papéis falsificados tinha como finalidade simular uma falsa legalidade e enganar a fiscalização rodoviária.
Os investigadores apontaram ainda a prática do crime de lavagem de dinheiro por meio da criação de empresas de fachada. O grupo recrutava “laranjas” para abrir contas correntes e registrar bens, gerando movimentações bancárias incompatíveis com as rendas declaradas.
A organização efetuava remessas ilegais de valores para o exterior como forma de pagamento aos fornecedores estrangeiros no Paraguai. Todo o patrimônio acumulado com o crime era ocultado sob a titularidade de terceiros para evitar o rastreamento dos órgãos de controle.
Logística integrada dividia tarefas entre quatro estados
O grupo criminoso operava por meio de uma estrutura hierárquica bem definida e com divisão rigorosa de tarefas entre seus integrantes. A rede de atuação logística estendia-se pelos estados de Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso.
O fluxo de operação da quadrilha consistia em seis etapas fundamentais:
- Aquisição: Compra dos lotes de cigarros na região de fronteira com o território paraguaio.
- Transporte Fracionado: Deslocamento das mercadorias em pequenos lotes e veículos variados para mitigar os riscos de grandes apreensões.
- Armazenamento: Estocagem do material em imóveis residenciais e estabelecimentos comerciais discretos.
- Distribuição: Escoamento em larga escala do produto contrabandeado para abastecer mercados de outros estados.
- Simulação Legal: Uso de empresas de fachada e notas fiscais frias para burlar barreiras policiais nas rodovias.
- Ocultação Financeira: Utilização de sistemas informais de envio de remessas e contas bancárias em nome de terceiros para lavar o dinheiro.
O nome atribuído à ação policial, “Rota Clandestina”, faz uma alusão direta às vias alternativas e aos métodos ocultos utilizados pelos contrabandistas. O grupo evitava os eixos rodoviários principais para conseguir internalizar os cigarros e abastecer os comércios de diferentes regiões do país.
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