Em debate na Fiesp, senadora Tereza Cristina alerta para “tempestade perfeita” e propõe soluções para conter crise na agroindústria
Tereza apontou queda na rentabilidade 'dentro da porteira' e defendeu a criação de fundo garantidor para atrair mercado de capitais…
Em reunião conjunta dos conselhos superiores da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) realizada nesta segunda-feira (15), a senadora por Mato Grosso do Sul, Tereza Cristina (PP), liderou os debates sobre o cenário desafiador enfrentado pela agroindústria brasileira. Como presidente do Conselho Superior do Agronegócio (Cosag), a parlamentar sul-mato-grossense fez um diagnóstico contundente do setor e alertou para a existência de uma “tempestade perfeita” que ameaça a rentabilidade dos produtores no campo.
O encontro, que também foi coordenado pelo ex-presidente da República e presidente do Conselho Superior de Estudos Nacionais e Política (Cosenp), Michel Temer, colocou em pauta o contraste vivido pelo agro em 2026: embora os indicadores macroeconômicos apontem para uma safra recorde de 358 milhões de toneladas este ano, a realidade “dentro da porteira” é de forte estrangulamento financeiro.
Custos e endividamento no campo
Durante sua apresentação, Tereza Cristina detalhou os principais fatores que têm sufocado as margens de lucro dos produtores. Entre os gargalos apontados pela senadora estão a elevação expressiva dos custos de produção — agravada pela crônica dependência de fertilizantes importados —, as dificuldades logísticas estruturais e o patamar elevado das taxas de juros.
De acordo com a parlamentar, essa combinação de fatores pressão o financiamento e aumenta o endividamento rural, justificando o termo de “tempestade perfeita” para definir o atual momento da economia caipira.
Fundo garantidor e mercado de capitais
Mais do que apresentar os problemas, a senadora sul-mato-grossense defendeu medidas práticas e reformas estruturais para proteger o setor produtivo. Como alternativa viável para aliviar o caixa dos produtores, Tereza Cristina destacou a urgência na aprovação da proposta em tramitação no Senado que prevê a criação de um fundo garantidor agrícola.
O objetivo do projeto defendido pela senadora é atrair recursos do mercado de capitais para o financiamento da produção e aprimorar as ferramentas de seguro rural, diminuindo o peso do Orçamento Federal e dando mais previsibilidade ao produtor diante de quebras de safra ou oscilações de preço.
Agenda externa e competitividade
No plano internacional, a ex-ministra da Agricultura enfatizou que o Brasil precisa de uma postura agressiva e estratégica para diversificar mercados e reduzir a dependência tecnológica externa. Para Tereza Cristina, blindar a competitividade das exportações brasileiras frente a gigantes e parceiros comerciais como China, Estados Unidos e União Europeia é fundamental para garantir que o agro continue sendo o principal pilar do Produto Interno Burto (PIB) nacional.
O posicionamento da senadora na Fiesp ecoa diretamente em Mato Grosso do Sul, base eleitoral de Tereza Cristina e um dos estados mais impactados pelas oscilações do mercado global de grãos e carnes, reforçando a necessidade de políticas que garantam a sustentabilidade econômica de quem produz.
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