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Política

Com alta rejeição de Lula no segmento, PT lança carta aos evangélicos e critica “uso da fé” na política

O manifesto reúne o posicionamento oficial da ala religiosa do partido sobre temas sociais, políticos e eclesiásticos

Douglas Duarte

Créditos: Divulgação

O Partido dos Trabalhadores (PT) ligou o sinal de alerta para tentar conter um de seus principais gargalos eleitorais: o eleitorado evangélico. Em uma tentativa de reaproximação e para tentar frear os altos índices de rejeição ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva neste segmento, a sigla divulgou uma carta aberta direcionada aos cristãos do país, criticando duramente o uso da fé “para fins políticos e econômicos”.

O documento foi chancelado e assinado durante o IV Encontro Nacional de Evangélicos do PT, realizado em Brasília nesta segunda-feira (8/6). O manifesto reúne o posicionamento oficial da ala religiosa do partido sobre temas sociais, políticos e eclesiásticos.

Liberdade de opinião e ataque à desinformação

A carta enfatiza que o povo evangélico não é um bloco homogêneo, destacando que os fiéis possuem diferentes visões políticas e devem ter total liberdade para formar suas convicções dentro dos templos. No entanto, o texto condena o que chama de “instrumentalização da religião” em disputas eleitorais.

Outro ponto central do documento é o combate à disseminação de fake news e aos discursos de ódio, classificados pelo partido como graves ameaças à convivência democrática e ao debate público saudável.

“Manifestamos preocupação com a disseminação de notícias falsas, discursos de ódio e tentativas de manipulação da fé para fins políticos ou econômicos. O Evangelho nos chama à verdade, à honestidade e à responsabilidade. A religião não deve ser utilizada para dividir o povo brasileiro, mas para promover esperança, solidariedade e compromisso com o bem comum”, diz o trecho principal do manifesto.

Defesa das gestões petistas e aceno para o futuro

Para tentar quebrar o gelo e mitigar a resistência histórica sofrida no segmento, o PT utilizou o documento para relembrar medidas adotadas em benefício dos cristãos durante os mandatos anteriores de Lula. Entre os marcos citados, estão o sancionamento da lei que reconheceu a música gospel como “cultura e patrimônio nacional” e a criação do Dia Nacional do Evangélico.

Pensando no pleito de 2026, os participantes do encontro defenderam uma participação ativa dos evangélicos progressistas nos debates sobre os rumos do país, manifestando apoio à continuidade do projeto político de Lula, mas fazendo a ressalva de que o apoio ideológico não se confunde com o uso eleitoral e oportunista da fé.

O desafio de Lula e o termômetro nas urnas

A ofensiva do PT com o lançamento da carta ocorre justamente em um momento estratégico. Analistas políticos apontam que a relação entre o Palácio do Planalto e as grandes lideranças evangélicas continua marcada por fortes desgastes, resistências teológicas e uma intensa disputa de narrativas. Em estados de perfil majoritariamente conservador, o diálogo com essa base é visto como peça-chave para o desenho das coligações e o termômetro das urnas para as próximas eleições federais e estaduais.

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