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Brasil

Queda nos preços do café em 2026 impulsiona recuperação do consumo nos supermercados

Demanda pela bebida cresceu 2,44% no primeiro quadrimestre impulsionada por baixa de até 15% no varejo; Conab projeta colheita recorde…

Douglas Duarte

O consumo de café voltou a registrar crescimento no varejo brasileiro no primeiro quadrimestre deste ano, impulsionado pela desaceleração gradual dos preços nas gôndolas dos supermercados. Entre janeiro e abril, o volume consumido avançou 2,44% na comparação com o mesmo período do ano passado, atingindo a marca de 4,9 milhões de sacas de 60 quilos.

De acordo com os dados estatísticos da Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic), a retomada da demanda ganhou força expressiva no mês de março, que apresentou uma alta de 10,25% em relação ao ano anterior. Em abril, o ritmo de expansão seguiu positivo, consolidando um incremento de 3,66% nas vendas nacionais.

O movimento reverte a tendência de retração observada ao longo de 2025, período considerado resiliente para a cafeicultura, mas que acumulou uma queda de 2,31% no consumo final em razão do encarecimento do produto. A virada de cenário em 2026 decorre da maior oferta de matéria-prima no mercado global, reduzindo a volatilidade do setor.

A maior disponibilidade do grão refletiu de forma direta no bolso do consumidor, especialmente nas categorias mais populares. O quilo do café tradicional, por exemplo, registrou uma redução de 15,51% em abril na comparação anual, passando a ser comercializado por um preço médio de R$ 55,34 nas principais capitais.

O monitoramento detalhado da Abic apontou que, das oito categorias de café acompanhadas pela entidade no comércio varejista, apenas três mantiveram tendência de reajuste para cima. Os cafés descafeinados lideraram a alta com 21%, seguidos de perto pelos cafés especiais, com 16,9%, e pelo café solúvel, com variação leve de 0,55%.

A expectativa da diretoria da Abic para os próximos meses é otimista e aponta para a consolidação de uma safra recorde no país. Caso as plantações mantenham o comportamento regular previsto, a tendência natural é que as indústrias repassem a redução de custos operacionais para as redes de distribuição e varejo, elevando o consumo.

Os números projetados pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) reforçam este cenário de abundância. O levantamento oficial estima que a colheita nacional deve crescer 18% nesta temporada, alcançando o volume histórico de 66,7 milhões de sacas, o que representa o maior índice já registrado na série cronológica da companhia.

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